Portuguese poem
Horas Ígneas
I
Eu sorvo o haxixe do estio... E evolve um cheiro, bestial, Ao solo quente, como o cio De um chacal.
Distensas, rebrilham sobre Um verdor, flamâncias de asa... Circula um vapor de cobre Os montes — de cinza e brasa.
Sombras de voz hei no ouvido — De amores ruivos, protervos — E anda no céu, sacudido, Um pó vibrante de nervos.
O mar faz medo... que espanca A redondez sensual Da praia, como uma anca De animal.
II
O Sol, de bárbaro, estangue, Olho, em volúpia de cisma, Por uma cor só do prisma, Veleiras, as naus — de sangue...
III
Tão longe levadas, pelas Mãos de fluido ou braços de ar! Cinge uma flora solar — Grandes Rainhas — as velas.
Onda por onda ébria, erguida, As ondas — povo do mar — Tremem, nest'hora a sangrar, Morrem — desejos da Vida!
IV
Nem ondas de sangue... e sangue Nem de uma nau — Morre a cisma. Doiram-me as faces do prisma Mulheres — flores — num mangue...