Portuguese poem
Longe do Céu, perto do verde Mar
Oh! essas manhãs altas e quietas! No ar, florescem as grandes borboletas, Floresce a luz, como em veludo E teu olhar espiritualiza tudo Como à flor matinal do firmamento O alvo sorriso areento – , Perto de mim teu verde e fundo olhar Longe do céu, perto de um verde Mar.
Ah! dobrar joelhos de ouro ao mundo! Dar-lhe as almas das virgens religiosas Coroadas de rosas! E fazê-lo adorar-te! Magnificamente amar-te O verde olhar líquido e fundo,
Onde as minhas ruivas esperanças, Soltas, enérgicas as tranças, Embarcações soltas as velas De um sol de fogo às rosas amarelas - Antes Rainhas passeando em Alamedas, Roupas em asas fúlgidas, de sedas – Se vão nas águas do Infinito Mar! E é tão modesto o teu risonho olhar!
Flor tão clara, em meu sonho, onde és incompreendid a Em tua carne branca, como a lua Que em noites de verão num céu negro flutua Oh! minha amada! Oh! minha vida! Que loira nau vens a meu lado Nesse ritmo sagrado! E és a riqueza Que empresto a toda a rica Natureza! E és a pedreira viva, de onde arranco Mármore antigo Para as loucuras de meu sonho branco, De que anda por aí tanto mendigo, Para as que como as pérolas de um Mar Pesquei, mas não são mais, no teu olhar!
Sou tua criatura! És minha criatura Virginalmente esguia! Magneticamente fria – Em minha dor escura – Onde ressoa uma Harpa da Vontade, Iluminada e forte, Como as doiradas convulsões da Morte! E doce, como a tua suavidade, Quando a minha alma vai beber-te o olhar Em duas taças verdes, cor do verde Mar!
Em sua face, não terá que linhas Úmida, a Primavera - Que se a roçasse um Deus com as asas minhas! – Quando romper, chover o dia De nosso Amor em todo o Amor cantando Na germinal alegria Para além de nós mesmos nesta Esfera, Quando a Nova Manhã lavar os lodos Aos homens todos E as almas todas se banharem rindo No rio que vamos nós abrindo E irá rolar no Mar – Rio de meu olhar! Rio de teu olhar!
Abrem, florescem as grandes borboletas Filhas, talvez, dessas manhãs quietas, Em que nós vamos juntos E, mortalha dos beijos no ar defuntos, Floresce a luz, como em veludo Ah! teu olhar espiritualiza tudo, Perto à dança do Mar A dança verde e longe em teu olhar.