Portuguese poem
O Muro
Movendo os pés doirados, lentamente, Horas brancas lá vão, de amor e rosas As impalpáveis formas, no ar, cheirosas.. . . Sombras, sombras que são da alma doente!
E eu, magro, espio... e um muro, magro, em frente Abrindo á tarde as órbitas musgosas — Vazias? Menos do que misteriosas — Pestaneja, estremece. . . O muro sente!
E que cheiro que sai dos nervos dele, Embora o caio roído, cor de brasa, E lhe doa talvez aquela pele!
Mas um prazer ao sofrimento casa. . . Pois o ramo em que o vento á dor lhe impele É onde a volúpia está de urna asa e outra asa. . .