Portuguese poem
Xix
by Raimundo António de Bulhão Pato (1828–1912)
Hugo jaz no sepulchro, e Parisina Dissera acaso eterno adeus ao mundo, Refugiando sua alma atribulada No silencio da cella de um convento? O veneno, o punhal talvez seriam O severo castigo do seu crime? Ou succumbira emfim nesse momento, Em que vira brandir o duro ferro Sobre a adorada fronte? compassiva A mão da Providencia permittiu, Que ao quebrar-se em seu peito confrangido De angustia o coração, se terminasse Tambem com elle a fragil existencia? Não o soube ninguem. Aquella vida, Ai! de mim! acabára neste mundo Pela dor como a vida principia!
Setembro de 1856.