Versos Portuguese Raimundo António de Bulhão Pato Xii

Portuguese poem

Xii

by (1828–1912)

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Azo emfim sólta a voz: «Ha pouco ainda, Numa esposa e num filho resumia Toda a minha ventura neste mundo. A aurora dissipou tão bello sonho! Antes do pôr do sol, nem um nem outro Me devem pertencer. Quebrem-se embora, As ligações mais caras da minh'alma! Hugo! um padre te espera, e depois d'elle A justa punição do teu peccado. Ergue preces ao ceo antes que o lume Das estrellas se accenda no horisonte: Talvez te dê perdão. Mas neste mundo Não existe logar onde possâmos Nós ambos respirar. Adeus, não quero Assistir ao teu ultimo momento! Porém tu, fragil ser, ensanguentada Terás de vêr cair essa cabeça. Vai, traidora mulher; sobre a tua alma Pese o remorso da desgraça d'elle! Vai-te, adeus, e se podes, contemplando Este exemplo fatal, ter vida ainda, Gosa d'ella, que livre t'a concedo!»