Portuguese poem
Xi
by Raimundo António de Bulhão Pato (1828–1912)
Oh! por ella tambem, nesse momento, Derramára o infeliz amargo pranto, Se de tantos a vista a não cercasse. A dor que o devorava, parecia No mais intimo d'alma adormecida; A fronte macilenta e transtornada, Conservava-se altiva. Por mais forte, Mais acerbo que fosse o seu tormento, Não quizera humilhar-se na presença D'aquella multidão que o comtemplava. A companheira bella de infortunio, Não se atrevia a olhar. Ao recordar-se Das horas do passado, do seu crime, Da vingança de um pae, do seu destino, E sobre tudo do destino d'ella, Não ousava lançar sobre esse rosto A desvairada vista, receando Que, cedendo ao remorso, revelasse Quanto o seu coração fôra culpado.