Portuguese poem
A Lima
by Sílvio Romero (1851–1914)
A lima que você mandou No meu peito se acabou; Quando a lima era tão doce, Quanto mais quem a mandou!
Você manda e eu recebo, Vidinha por derradeiro... Um cravo que eu achei Aberto no seu craveiro.
Não será de cheiro igual A lima que me mandou; As casquinhas eu guardei Até sua vista primeira. Quem no seu jardim plantou Tão rico pé de limeira, Que doce já enfara, Que pra mim só se compara A um beijo de sua boca? Só um caroço não tinha... Pago bem a quem me trouxe,
Que o cheiro não acabou-se; Certo é que muito cheira A lima que me mandou. Pegue na sua liminha Enterre lá no jardim; Que lima para cheirar Nunca vi cousinha assim... A lima verde é cheirosa!... Deixa-me, fruta amorosa, O teu pé é o espinheiro? Pois me chamam derroteiro No centro dos namorados... Lima verde tem bom cheiro; O amor não é por dinheiro; Mas pra onde ele pendeu...