Versos Portuguese Sílvio Romero Dom Duarte e Dona Donzilha

Portuguese poem

Dom Duarte e Dona Donzilha

by (1851–1914)

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"Eu não procuro igreja, Nem rosário pra rezar; Só procuro o lugar Onde Dom Duarte está. "Deus vos salve, rainha, Rainha em seu lugar." —Deus vos salve, princesa, Princesa de Portugal."

—O que me quereis, princesa, Que novas quereis me dar? É o amor de Dom Duarte Que inda espero lograr. —Dom Duarte não está em casa, Anda n'alçada real. "Mandai levantar bandeira Para dar um bom sinal. Palavras não eram ditas Dom Duarte na porta estava:

O que me quereis princesa, Que novas quereis me dar? "É o amor de Dom Duarte Qu'inda espero lograr. —No tempo que eu vos queria, Me juravam a matar; Mas hoje que sou casado Tenho filhos a criar.

—Dai-me licença, senhora, —Dai-me licença real Pra dar um beijo em Donzilha Qu'ela finada já está. "Dai-lhe quatro, dai-lhe cinco, Dai-lhe quantos vós puder; Não tendes mais que beijar A quem já finada está.

A cova de Donzilha Foi na porta principal; A cova de Dom Duarte Foi lá no pé do altar. Na cova de Donzilha Foi um pé de sicupira; Na cova de Dom Duarte Nasceu um pé de colar. Foram crescendo, crescendo, Cresciam ambos igual; Lá em riba das galhinhas Lá se foram abraçar. A viúva que viu isto, Logo mandou decotar; Si haviam brotar leite, Brotaram sangue real.