Portuguese poem
Dona Branca
by Sílvio Romero (1851–1914)
O que tens, ó Dona Branca, Que de cor estás mudada? "Água fria, senhor pai, Que bebo de madrugada.
—Juro por esta espada, Afirmo por meu punhal, Que antes dos nove meses Dona Branca vai queimada. "Eu não sinto de morrer, Nem também de me queimar, Sinto por esta criança Que é de sangue real.
Si eu tivera o meu criado, Que fora ao meu mandado, Escreveria uma carta A Dom Duarte de Montealbar.”
—"Fazei a carta, senhora, Que eu serei o mensageiro; Viagem de quinze dias Faço numa Ave-Maria.
Escreve, escreve, senhora, Que eu serei o teu criado; Viagem de quinze dias, No jantar serei chegado. "Abre, abre, cristalina Janela de Portugal, Quero entregar esta carta A Dom Duarte de Montealbar.
Dom Duarte, que leu a carta Logo se pôs a chorar, Dando saltinhos em terra, Como baleia no mar.
Dom Duarte se finge frade Pra princesa confessar Lá no sexto mandamento Um beijo nela quis dar.
"Boca que Duarte beijava Não é pra frade beijar! Nisto então se descobria E com ela já fugia, E para a boda a levou.