Portuguese poem
Flor do Dia
by Sílvio Romero (1851–1914)
"Alevanta, amor, Desse bom dormir, Chame sua mãe Para me acudir.
Levantou-se ele Sem mais descanso, Foi selando logo Seu cavalo branco.
—Deus vos salve, mãe, No vosso estrado. —"Deus vos salve, filho, No vosso cavalo. Apeia pra baixo Jantar um bocado. —Não quero jantar, Que vim a chamado, Que a Flor do Dia Lá ficou de parto.
—"De mim para ela: Um filho varão, De espora no pé, E espada na mão, Rebente por dentro Pelo coração.
—Flor do Dia Faça por parir, Minha mãe está doente E não pode vir. "Alevanta, amor, Desse bom dormir, Chame minha mãe Para me acudir, Que ela mora longe, Mas sempre há de vir. Grande dor, marido, : É dor de parir!
—Deus vos salve, sogra, No vosso estrado. —Deus vos salve, genro, No vosso cavalo. Apeia pra baixo Jantar um bocado. —Não quero jantar, Que vim a chamado, Que a Flor do Dia Lá ficou de parto. —De mim para ela: Um fi1ho estimado, Que eu veja no trono Um bispo formado Espera lá, meu genro, Deixa-me vestir, Que ela mora longe, Mas sempre hei de ir.
—Pastor de ovelhas, Que sinal é aquele, Que está dobrando? —"E' Dona Estrangeira Que morreu de parto, Sem haver parteira. —Aquele sino Não cessa de dobrar, Nem meus olhos Também de chorar. Adeus, minha filha Do meu coração, Que morreu de parto Sem minha benção. Adeus, minha filha, Que eu vinha te ver, Quem não tem fortuna Mais val não nascer.