Versos Portuguese Sílvio Romero Florioso

Portuguese poem

Florioso

by (1851–1914)

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Entre pedras e peneiras, Senhora, vamos a ver; Menina que estais na fonte, Dai-me água para beber.

"Com licença do Senhor, E da Senhora da Guia, Dizei-me, senhor mancebo, Se vindes da companhia?

—A companhia que trago Já vos digo na verdade; Venho divertir o tempo, Que é cousa da mocidade.

"É cousa da mocidade, Bem já me parece ser; Dizei-me, senhor mancebo, Se sabeis ler e escrever?

—Eu não sei ler e escrever, Nem mesmo tocar viola; Agora quero aprender . Na vossa real escola...

"Escola tenho eu de minha, Nange pra negro aprender; Juízo te dê Deus, Memória para saber.

—Nestas mimosas esquinas Faz-se ausência muito mal; Eu sempre pensei, senhora, Que vós, me queríeis mal.

"Quanto a mim, eu não te quero Nalma, nem no coração; Até só te peço, negro, Que não me toques na mão.

—Nas mãos eu não vos toco, Nem mesmo bulo convosco; Quero estar a par de vós, Pois eu nisto levo gosto.

"Se tu nisto levas gosto, Desgostas por vida tua; Que esta cara que aqui está É de outro e não é tua.

—Se é de outro e não é minha Inda espero que há de ser; Menina, diga a seu pai Que me mande receber.

"Tais palavras eu não digo Que inda sou muito escusada. Pois eu sou menina e moça, Não sou para ser casada.

—Inda mais moças que vós Regem casa e têm marido, Assim há de ser, menina, Quando casardes comigo.

"Mas eu não hei de casar, Porque não hei de querer; Eu não me meto a perigos, Quando vejo anoitecer...

—Nem eu quero cousa à força, Senão por muita vontade, Eu quero gozar a vida Que é cousa da mocidade.

"Donde vem o Florioso Das melêndias penteadas —Eu venho ser o vaqueiro Das ovelhas mais das cabras.

"Deste mesmo gado eu cuido Da minha fina geração. —Daquele que veste luvas De cinco dedos na mão.

"Já fui contar as estrelas, —Eu já sei que estou no caso... "Eu sei agora, mancebo, Que tu só és o diabo...

—O diabo eu não sou, Ai! Jesus que feio nome! Só peço ao Senhor da Cruz Que este diabo vos tome."