Versos Portuguese Sílvio Romero Juliana

Portuguese poem

Juliana

by (1851–1914)

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— Deus vos salve, Juliana, No teu estrado assentada. "Deus vos salve, rei Dom Joca, No teu cavalo montado. Rei Dom Joca, me contaram Que tu estavas pra casar?

—Quem to disse, Juliana, Fez bem em te desenganar.

"Rei Dom Joca, se casais Tornai ao bem querer, Poderás enviuvar E tornar ao meu poder.

—Eu ainda que enviuve E que torne enviuvar, Acho mais fácil morrer Do que contigo casar.

"Espera aí, meu Dom Joca, Deixa subir meu sobrado, Vou ver um copo de vinho Que pra ti tenho guardado.

—Juliana, eu te peço Que não faças falsidade. Vejais que somos parentes, Prima minha da minha alma. Que me deste, Juliana, Neste copinho de vinho, Que estou com a rédea na mão, Não conheço o meu caminho? A minha mãe bem cuidava Que tinha seu filho vivo.

"A minha também cuidava Que tu casavas comigo. —Ó meu pai, senhora mãe, Me bote sua benção, Abrace bem apertado O meu maninho João. Meu pai, senhora mãe, Me bote a sua benção; Lembranças à Dona Maria, Também à Dona Celerencia. A minha alma entrego a Deus, O corpo à terra fria, A fazenda e o dinheiro Entregue a Dona Maria.

—"Cale a boca, meu Dom Joca, Ponde o coração em Deus, Que este copo de veneno Quem te há de vingar sou eu.

—Já acabou-se, já acabou-se, Ó flor de Alexandria! Com quem casará agora Aquela moça Maria? Já acabou-se, já acabou-se, Já acabou-se, já deu fim. Nossa Senhora da Guia Queira se lembrar de mim.