Versos Portuguese Sílvio Romero Foi garrote, foi capado

Portuguese poem

Foi garrote, foi capado

by (1851–1914)

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Foi garrote, foi capado No curral da Piedade; Nunca temeu a vaqueiro, Nem a vara de ferrão, Nem o mesmo José de Castro No cavalo Riachão. Do chifre do Boi-Espácio Dele fez-se uma canoa, Para embarcar a gente Do Recife pra Lisboa. Dos olhos do Boi-Espácio Deles fez-se uma vidraça Para espiar as moças Quando passeiam na praça Da cabeça do Boi-Espácio Dela se fez um banqueiro Para retalhar a carne Da gente do Saboeiro. O couro do Boi-Espácio, Tirado por minha mão, Deu trinta jogos de malas, Nove pares de surrão. A rabada do Boi-Espácio, Tirada por minha mão, Deu trinta laços de corda, Nove pares de surrão. A carne do Boi-Espácio Botada no estaleiro, Comeram vinte famílias De janeiro a janeiro. O corredor do Boi-Espácio Deu tamanha corredeira, Que todo o povo do Crato Ficou-se de caganeira. As tripas do Boi-Espácio Tiradas por minha mão, Deu dez cargas de linguiça, Onze arrobas de sabão. Do debulho do Boi-Espácio Dele se fez barrela, Para se lavar a roupa Da gente da Manoela. Da unha do Boi-Espácio Quatro obras se formou, Uma jangada, uma lancha, Um palácio e um vapor. Das orelhas do Boi-Espácio Quatro obras se formou, Um abano, uma esteira, Uma maca, um tambor. Este meu Boi-Espácio Morava em dois sertãos, Comia nos Cipoais, Bebia nos Caldeirãos. Matei o meu Boi-Espácio Em uma tarde serena, Toda a gente da ribeira, Que não chorou, teve pena.