Versos Portuguese Tomás Antônio Gonzaga Ao Illustrissimo Senhor Luiz Beltrão de Gouvea

Portuguese poem

Ao Illustrissimo Senhor Luiz Beltrão de Gouvea

by (1744–1810)

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Se entre as louras arêas Do meu Jaquitinhonha, hum Genio erguido Ás Regiões alheas Manda que em doce metro reppetido Hoje o teu Nome leve, Tanto á virtude, meu Beltrão, se deve.

Vejo a sordida inveja De ira morder-se, e as serpes sacudindo Por se tragar forceja: De pejo, e de vergonha em vão cobrindo Co' as frias mãos o rosto, Geme a calumnia no mortal desgosto.

Vós, Genios fortunados, Que do Templo da Gloria honrais a estancia, Os meritos sagrados Cantai do bom Ministro: He a constancia, A sabia fortaleza He quem o guia na maior empreza.

Se os rigidos palmares Da Idumeya consulto; o bravo Noto Os tormentosos ares Não podem mais dobralos: zomba immoto, Nem ás ondas tem medo Sobranceiro ao Egeo, firme penedo.

Tal a constancia tua Em meio foi dos perfidos rumores; A verdade, que nua Derramava em teu rosto as vivas côres, Sobre as aras decentes Vio por triunfo mil trofeos pendentes.

A vigilancia, o zelo, A rectidão do espirito; elevada Ao gráo mais rico, e bello, Essa virtude, que nos traz provada Em meio dos Thesouros A sã virtude, que enobrece os Louros:

Tudo, tudo apparece Sabio Ministro da victoria ao lado; Athenas, que me offerece No seu público Erario accreditado Aristides, o Justo, Em ti acena o seu modelo augusto.

Mil vezes orgulhosa Negra calumnia o seu desterro tenta; A virtude preciosa Contra o fero Themistocles sustenta. Não ha força que baste, Não ha poder que o peito lhe contraste.

Feliz o Rei, o Povo, Feliz tambem de Themis a ballança; De hum modo raro, e novo Nas tuas mãos eu vejo, que descança: Aos premios, ao castigo Se reparte sem queixa o braço amigo.

Ah! sinta a nossa idade De hum sangue illustre, de hum talento raro A próvida igualdade! Melhor do que nos marmores de Pharo, Em memoria nos vindouros T'ergue o Serro h[~u] Padrão nos seus Thesouros.