Portuguese poem
II (Num fértil campo de soberbo Douro)
by Tomás Antônio Gonzaga (1744–1810)
Num fértil campo de soberbo Douro, Dormindo sobre a relva, descansava, Quando vi que a Fortuna me mostrava Com alegre semblante o seu tesouro.
De uma parte, um montão de prata e ouro Com pedras de valor o chão curvava; Aqui um cetro, ali um trono estava, Pendiam coroas mil de grama e louro.
— Acabou - diz-me então - a desventura: De quantos bens te exponho qual te agrada, Pois benigna os concedo, vai, procura.
Escolhi, acordei, e não vi nada: Comigo assentei logo que a ventura Nunca chega a passar de ser sonhada.