Versos Portuguese Tomás Antônio Gonzaga III (De amar, minha Marília, a formosura)

Portuguese poem

III (De amar, minha Marília, a formosura)

by (1744–1810)

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De amar, minha Marília, a formosura Não se podem livrar humanos peitos. Adoram os heróis; e os mesmos brutos Aos grilhões de Cupido estão sujeitos. Quem, Marília, despreza uma beleza, A luz da razão precisa; E, se tem discurso, pisa A lei que lhe ditou a Natureza.

Cupido entrou no Céu. O grande Jove Uma vez se mudou em chuva de ouro; Outras vezes tomou as várias formas De General de Tebas, velha e touro. O próprio Deus da Guerra desumano Não viveu de amor ileso; Quis a Vênus, e foi preso Na rede que lhe armou o Deus Vulcano.

Mas sendo amor igual para os viventes, Tem mais desculpa, ou menos esta chama: Amar formosos rostos acredita, Amar os feios de algum modo infama. Que lê que Jove amou, não lê nem topa, Que ele amou vulgar donzela: Lê que amou a Dânae bela, Encontra que roubou a linda Europa.

Se amar uma beleza se desculpa Em quem ao próprio Céu e Terra move: Qual é a minha glória, pois igualo Ou excedo no amor ao mesmo Jove? Amou o Pai dos Deuses Soberano Um semblante peregrino: Eu adoro o teu divino, O teu divino rosto, e sou humano.