Versos Portuguese Tomás Antônio Gonzaga Lyra IV

Portuguese poem

Lyra IV

by (1744–1810)

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Amor por acaso A hum pouso chegava, Aonde accolhida A Morte se achava.

Risonhos, e alegres Os braços se dérão, E as armas unidas N'um sitio pozerão.

De emprezas tamanhas Cansados já vinhão, E em larga conversa A noite entretinhão.

Hum conta que ha pouco A seta aguçada Em huma belleza Deixára empregada.

Diz outro que as flexas Cravára no peito De hum grande, que teve O Mundo sujeito.

Em quanto das forças Cada hum persumia, Seus membros já laços O somno rendia.

Dormindo tranquillos A noite passárão, E inda antes da Aurora Com ancia acordárão.

He tempo que o leito Deixemos, ó Morte; Amor, já erguido Fallou desta sorte.

He tempo, em resposta A morte repete, Que á nossa fadiga Dormir não compete.

As armas colhamos, Voltemos ao giro: Cada hum a seu gosto Empregue o seu tiro.

Vão inda c'os olhos Em somno turbados, Ao sitio em que os ferros Estão pendurados.

Amor para as setas Da morte se enclina: De amor logo a Morte C'o as flexas atina.

Oh golpes tyrannos! Oh mãos homicidas! São tiros da Morte De Amor as feridas.

De hum sonho, que pinto, Marilia conhece, Se amor, ou se morte Este alma padece.