Versos Portuguese Tomás Antônio Gonzaga Lyra XXVII

Portuguese poem

Lyra XXVII

by (1744–1810)

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A minha amada He mais formosa Que branco lyrio, Dobrada rosa, Que o cinnamomo, Quando matiza Co' a folha a flor. Venus não chega Ao meu Amor.

Vasta campina De trigo chêa, Quando na sésta C'o vento ondêa, Ao seu cabello Quando flutua Não he igual. Tem a côr negra: Mas quanto val!

Os astros, que andão Na esfera pura, Quando scintilão Na noite escura, Não são humanos, Tão lindos, como Seus olhos são. Que ao Sol excedem Na luz que dão.

Ás brancas faces, Ah! não se atreve Jasmis de Italia, Nem inda a neve, Quando a desata O Sol brilhante Com seu calôr. São neve, e causão No peito ardôr.

Na breve boca Vejo enlaçadas As finas per'las Com as granadas; A par dos beiços Rubins da India Tem preço vil. Nelles se agarrão Amores mil.

Se não lhe désse Compadecido Tanto soccorro O Deos Cupido; Se não vivêra Huma esperança No peito seu; Já morto estava O bom Dirceo.

Vê quanto póde Teu bello rosto; E de goza-lo O vivo gosto! Que sobmergido Em hum tormento Quasi infernal, Porqu' inda espero Resisto ao mal.