Portuguese poem
Lyra XXX
by Tomás Antônio Gonzaga (1744–1810)
O pai das Musas, O Pastor loiro Deo-me, Marilia, Para cantar-te A lyra de oiro.
As cordas firo, O brando vento Teus dotes leva Nas brancas azas Ao firmamento.
O teu cabello Vale hum thesoiro; Hum só me adorna A sabia frente Melhor que o loiro.
Nesses teus olhos Amor assiste; Delles faz guerra; Ninguem lhe foge; Ninguem resiste.
Algumas vezes Eu o diviso Tão bem occulto Nas lindas cóvas, Que faz teu riso.
Nesses teus peitos Tem os seus ninhos Destros Amores, Nelles se gerão Os Cupidinhos.
Vences a Venus, Quando com arte As armas toma, Porque mais prenda Ao fero Marte.
Eu produzia Estas idéas, Quando, Marilia; O som escuto Das vis cadêas.
Dou hum suspiro. Corre o meu pranto; E inda bebendo Lagrimas tristes, De novo canto.
Sou da constancia Hum vivo exemplo. E vós, ó ferros, Honrareis inda De Amor o Templo.