Portuguese poem
Soneto XII
by Tomás Antônio Gonzaga (1744–1810)
Com pezadas cadeias maniatado, Ás vozes da razão insurdecido, Dos Ceos, de mim, dos homens esquecido Me vi de amor nas trévas sepultado.
Alli aliviava o meu cuidado Cõ dar de quando em quando algum gemido: Ah tempo! que sómente reflectido Me fazes entre as ditas desgraçado.
Assim vivia, quando a falsidade De Laura me tornou n'um breve dia Quanto a razão não pôde em longa idade.
Quebrei o vil grilhão que me opprimia: Ó feliz de quem gosa a liberdade! Bem que venha por mãos da aleivosia.