Portuguese poem
Soneto XVI
by Tomás Antônio Gonzaga (1744–1810)
As molles azas a bater começa Entre as palhas o tenro passarinho, E largos dias por deixar o ninho Se cança, se fadiga, se arremeça.
H[~u] impulso, outro impulso é vão se apresa, Já se firma no pé, já no biquinho, Nas folhas se tem, passa ao raminho Té que a penna se esforce, e se endureça.
Quando emfim he capaz de movimento Deixa os arbustos vaga pelos ares, E sobre as altas faias toma assento:
Estes sejão, Salicio, os exemplares Em que a vossa virtude anime o alento, Porque hum dia da Fama honre os Altares.