Portuguese poem
VI (Ergue-te, ó Pedra, desde a margem…)
by Tomás Antônio Gonzaga (1744–1810)
Ergue-te, ó Pedra, desde a margem fria, Que os muros banha à Lusitana Atenas, Mostra-me as desmaiadas açucenas Do rosto, que me ocupa a fantasia.
Deixa que eu beije a mão, que pôde um dia Ceder de amor às lastimosas cenas; Que entre as ânsias, a dor, a mágoa, as penas Renove a saudosa idolatria.
Solto do véu mortal, ó Feliz Astro Une ao cadáver a truncada testa, Levanta o belo de colo de alabastro:
Uma alma grande junto a ti protesta Fazer a glória da defunta Castro; A ilustre neta vês: Maria é esta.