Versos Portuguese Tomás Antônio Gonzaga XIX (Enquanto pasta alegre o manso gado)

Portuguese poem

XIX (Enquanto pasta alegre o manso gado)

by (1744–1810)

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Enquanto pasta alegre o manso gado, Minha bela Marília, nos sentemos À sombra deste cedro levantado. Um pouco meditemos Na regular beleza, Que em tudo quanto vive, nos descobre A sábia natureza.

Atende como aquela vaca preta O novilhinho seu dos mais separa, E o lambe enquanto chupa a lisa teta. Atende mais, ó cara, Como a ruiva cadela Suporta que lhe morda o filho o corpo, E salte em cima dela.

Repara como, cheia de ternura, Entre as asas ao filho essa ave aquenta, Como aquela esgravata a terra dura, E os seus assim sustenta; Como se encoleriza, E salta sem receio a todo o vulto Que junto deles pisa.

Que gosto não terá a esposa amante Quando der ao filhinho o peito brando E refletir então no seu semblante! Quando, Marília, quando Disser consigo: "É esta De teu querido pai a mesma barba, A mesma boca e testa."

Que gosto não terá a mãe, que toca, Quando o tem nos seus braços, c'o dedinho Nas faces graciosas e na boca Do inocente filhinho! Quando, Marília bela, O tenro infante já com risos mudos Começa a conhecê-la!

Que prazer não terão os pais ao verem Com as mães um dos filhos abraçados; Jogar outros a luta, outros correrem Nos cordeiros montados! Que estado de ventura! Que até naquilo, que de peso serve, Inspira Amor doçura.