Versos Portuguese Tomás Antônio Gonzaga XV (A minha bela Marília)

Portuguese poem

XV (A minha bela Marília)

by (1744–1810)

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A minha bela Marília Tem de seu um bom tesouro; Não é, doce Alceu, formado Do buscado Metal louro. É feito de uns alvos dentes, É feito de uns olhos belos, De umas faces graciosas, De crespos, finos cabelos; E de outras graças maiores, Que a natureza lhe deu: Bens que valem sobre a Terra E que têm valor no Céu.

Eu posso romper os montes; Dar às correntes desvios; Pôr cercados espaçosos Nos caudosos Turvos rios; Posso emendar a ventura Ganhando astuto a riqueza; Mas, ah, caro Alceu! Quem pode Ganhar uma só beleza Das belezas que Marília No seu tesouro meteu? Bens que valem sobre a Terra E que têm valor no Céu.

Da sorte que vive o rico Entre o fausto alegremente, Vive o guardador do gado Apoucado, Mas contente. Beije pois torpe avarento As arcas de barras cheias: Eu não beijo os vis tesouros, Beijo as douradas cadeias, Beijo as setas, beijo as armas Com que o cego Amor venceu: Bens que valem sobre a Terra E que têm valor no Céu.

Ama Apolo, e o fero Marte; Ama, Alceu, o mesmo Jove: Não é, não, a vã riqueza, Sim beleza, Quem os move. Posto ao lado de Marília Mais que mortal me contemplo: Deixo os bens que aos homens cegam, Sigo dos Deuses o exemplo: Amo virtudes, e dotes; Amo enfim, prezado Alceu, Bens que valem sobre a Terra E que têm valor no Céu.