Portuguese poem
VIII (Vida, que és o dia de…)
by Vicente de Carvalho (1866–1924)
Vida, que és o dia de hoje, O bem que de ti se alcança Ou passa porque nos foge, Ou passa porque nos cansa.
Ainda mesmo quando corre Na vida dos mais felizes, O prazer floresce, e morre, A mágoa deita raízes.
Tem alicerces de areia O que constróis cada dia, Vida que corres tão cheia Para a morte tão vazia.
Haverá queixa mais justa Que a do feliz que se queixa? Ai, o bem que menos custa Custa a saudade que deixa.