Portuguese poem
VI (Sobe o sol? A noite desce)
by Vicente de Carvalho (1866–1924)
Sobe o sol? A noite desce? Dia e noite são-me iguais: Se tu chegas, amanhece, Fica noite se te vais.
Os meus olhos são de cego Para o que de ti se aparte: Só em te ver os emprego, Mal me bastam para olhar-te.
Gorjeie o sabiá gemendo Nas aroeiras em flor: Mal o escuto e não o entendo, Que só sei do meu amor.
Que há de entender no exagêro Das queixas dos infelizes Quem ama come eu te quero E escuta o que tu me dizes?
Sei que há roseiras viçosas Por que, com os olhos em ti, Vejo cobrir-se de rosas Um lábio que me sorri.
Seja abril ou junho, quando Eu estou à tua espera, Logo que tu vens chegando, Principia a primavera.