Versos Portuguese Vicente de Carvalho VII (Tinha momentos amargos)

Portuguese poem

VII (Tinha momentos amargos)

by (1866–1924)

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Tinha momentos amargos Teu amor, que era tão doce... Nem posso dizer que fosse Tudo céu naquele céu: Deu-me carinhos e zelos Gosto e desgostos. Contudo Tenho saudades de tudo, De tudo que ele me deu.

Tu eras uma roseira. Que eu topara no caminho... Quem não perdoa um espinho Pelos encantos da flor? Depois... caprichos, arrufos, Eram apenas o ensejo De mais sabor em teu beijo E mais viço em meu amor.

Temi esse amor tão grande, Tão forte, tão exclusivo, Que me tornava cativo Dos teus caprichos sem lei: Tentei do seio arrancá-Io... Mas vejo, por minhas penas, Que ele não foi, foi apenas Meu coração que arranquei.

Certo venci com deixar-te O encanto que me encantava Quando eu tinha a vida escrava Dos teus braços na prisão; Mas... nesse mas se resume Tudo que sinto e não digo Hoje que sofro o castigo De ter cedido à razão.

Perdido para o teu beijo, Perdeu meu lábio o sorriso; Pouco importa, que eu preciso - Não sorrir, porém chorar; Nem sei de bem pela terra Que mereça algum empenho... Olhos, porque os inda tenho Se já te não hei de olhar?

Ai, como é triste o deserto Do nosso leito vazio! Como eu agora avalio O que por gosto perdi! Como são tristes as horas Desde que já te não vejo, E o meu amor sem teu beijo, E a minha vida sem ti!