Versos Portuguese Visconde de Almeida Garrett João Batista da Silva Leitão de Almeida Garrett Ii

Portuguese poem

Ii

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E o sol ja no oriente erguido Da tôrre ameias dourava; Violante mais bella que elle Para a morte caminhava:

Alva tella aspera e dura Veste o corpo delicado, Por cintura rijo esparto Em grosseiro laço atado.

Choram pagens e donzellas, Que a piedade o crime esquece; O proprio offendido espôso Com tal vista se internece.

Dá signal a campa triste, O algoz o cutello affia... —‘Meu senhor mereço a morte’ A malfadada dizia,

‘De joelhos, D. Ramiro, Humilde perdão vos peço, Perdoae-me por piedade... A morte não, que a mereço:

‘Da affronta que vos hei feito Por minha triste cegueira, Dae-me quitação co’a morte N’ésta hora derradeira:

‘Mas só eu sou criminosa Do aggravo que vos fiz, Não tireis, senhor, vingança D’esse misero, infeliz...’

Talvez ia perdoar-lhe O espôso compadecido... Renovou-se-lhe o odio todo, D’aquelle rôgo offendido:

O semblante roxo d’ira Para não vê-la torceu, E co’ a esquerda mão alçada O fatal accêno deu.

Sôbre o collo crystallino, Desmaiado, e inda tam bello, De golpe tremendo e subito Cai o terrivel cutello.

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