Versos Portuguese Visconde de Almeida Garrett João Batista da Silva Leitão de Almeida Garrett ‘Nas Froixas, Debeis Azas Da Saudade.’

Portuguese poem

‘Nas Froixas, Debeis Azas Da Saudade.’

by

Listen in the reader

Esses muros que amor, razão despreza, Que ergueu do fanatismo a voz trovosa, Deixa, ó Nise gentil, deixa-os, vaidosa De escutares a voz da natureza.

Crê no teu coração; não é fraqueza Fugir aos males para ser ditosa: Ja nos meus braços a ventura anciosa Espera, com amor, tua belleza.

Vem, não oiças conselhos fementidos, Ouve amor, a razão, a liberdade, E a virtude e o prazer verás unidos.

Farás minha cabal felicidade, Nem teus votos verás sempre perdidos ‘Nas froixas, debeis azas da saudade.’

Porto--1817.

VII.

O CAMPO DE SANCT’ANNA.

Longe, hypocritas vis, longe, impostores, O mentido apparato religioso! Que um deus d’amor, o nosso Deus piedoso Abomina, detesta esses horrores.

De atrozes leis cruentos guardadores, Vós curvais ante o despota orgulhoso, E o sangue da patria precioso Torpemente vendeis por seus favores.

Geme sem proctetor a humanidade: E vós, juizes, vós, tigres humanos, A immolais sem remorso e sem piedade.

Ah! tremei, sanguinarios deshumanos; Que ella hade vir, tremei, a Liberdade Punir despotas, bonzos e tyrannos.

Coimbra--1817.

VIII.