Versos Portuguese Abílio Manuel Guerra Junqueiro A Meus Manos

Portuguese poem

A Meus Manos

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Prouvéra a Deus, que eu podesse, Atravessando os espaços, Ir fazer-vos mil carinhos, Cingir-vos em doces laços;

Cobrir-vos-hia de beijos, Mitigando a minha dor: Oh! então mostrar-vos-hia Quão intenso o meu amor!

Mas são projectos baldados Estes que n'um sonho eu vi; Recebei pois a saudade Que ora vos mando d'aqui.

Á MORTE DE MINHA PRIMA D.J. ERNESTINA

Ainsi tombe une fleur avant le temps fanée. LAMARTINE--Medit.

Ceifou-te a morte no verdor dos annos, Innocente bonina; e quando então, Tão candida e tão bella despontavas, Tão linda e terna como os anjos são!

Da vida o livro mal aberto tinhas, Entre os dedos a página da morte, Sem sentir te apparece de repente: Assi Deus decretou a tua sorte.

Os anjos, invejando-te a candura, D'este arido deserto te hão levado; Temeram se manchasse um coração De tamanhas virtudes inspirado!

Á MORTE DO MEU AMIGO A. P. DE MELLO

Eu choro, amigo, eu choro ao ver-te assim Roubado pela morte ao mundo, á vida; Ai! que transe cruel, que dor sem fim Soffrendo está minh'alma enternecida!

Da amizade antes nunca os doces laços Os nossos corações viesse unir, Se te havias de ir cedo dos meus braços, Se tão breve me havias de fugir!

Antes nunca... que não poderei eu A ventura sem ti jámais achar! Perdido o leme e o rumo ao barco seu, Como é que póde o nauta navegar?...

Morreste, e nada tenho já commigo! Esp'ranças, illusões, sonhos ditosos D'esses meus dias de prazer, de gosos Voaram todos para Deus comtigo.