Portuguese poem
Ao Pe Da Luz
Subímos o montículo da Vida... Somos chegados. Parêmos. Descubrí-vos, rapazes, e ajoelhêmos Ante a Cruz alem erguida...
Envolta numa auréola luminosa, No tôpo da existencia, ergue-se a Cruz: --Tribúna inegualavel, magestosa, De onde nos fala Jesus...
Cercam-na as almas místicas dos crentes Num circulo de prantos e orações; Sobre as rosas astráis dos corações Vêm os anjos curvar-se reverentes...
Corações, que são rosas redolentes Abertas nos jardins das solidões, Sob o influxo das doces radiações Dos olhos de Jesus meigos e ardentes.
Ó santas almas bem-aventurádas, Aos pés chagosos de Jesus prostrádas, Dái-me um logar humilde ao vosso lado...
Ando a correr a via dolorosa Do mundo, deste mundo desgraçado, Que me tortura a alma suspirosa...
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Rapazes! Que encontrastes vós no mundo, Senão desgostos, lagrimas, saudade?...
Ha um cancro antiquissimo e profundo. Que rói a Humanidade...
Esse cancro nojento, pustulôso, Esse herpe roedôr e mal curado, De onde escorre um pus negro, venenôso, --É o cancro do Pecádo!
Esse cancro maldito dá vertigens! Alastra pela praça, pelos lares; Corrói as carnes lácteas das virgens, E cria os lupanares!
Agácha-se nos leitos conjugáis; E açulando odientos vitupérios, Desváira, céga, os corações leáis E faz os adultérios!
Desenvolvendo instíntos de cobíça, Instintos indomáveis, máus, ferínos, Reprime e calca o Bem, céga a Justiça, E forma os assassinos!
Desváira as corrompídas gerações, E, derrancando odios pelas terras, Lança os povos nas bruscas sedições: Fomenta e acende as guerras!
Cancro que é o Mal, é o vicio, é o odio, é o fel, Fervendo sob o disco azul dos céus... É o filho prediléto de Lusbél, De garras encrispádas contra Deus!
Dêle nasce este pélago de dôres, Este indeciso mal-estar geral, Que os mil e um profanos pensadôres Hão designado--Dôr Universal!...
Ninguem acha o remedio, ó Deus, ninguem!
....................................... Ó meus amigos, ajoelhái e ouvi: Remedio deste mal só Deus o tem... Olhái a Cruz, olhái...--Reside alí.
Alí, naquêle Cristo ensanguentado, De chagas rubras como rosas vivas, Erguendo ao alto o rosto escalavrado, Lançando aos homens vistas compassivas...
Alí, naquêle Cristo moribundo, Pregado nos braçáis daquela Cruz, Abrindo o coração sangrento ao mundo, Em labarédas místicas de luz...
Alí, naquêle Cristo de olhos virgens Fitos nos longes vêrdes da devêza Mergulhada nas hórridas calígens Da formidavel dôr da Naturêza...
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Ó pombas de Belêm, voái em bando... Espedaçái os corações de dôr Á vista do misterio formidando Da morte do Senhor! Ó pombas de Belém, voái em bando...
Chorái, ó violêtas de Jessé; Chorái, ó madresilvas, ó martírios; Chorái, ó roseiráis de Nazaré; Chorái, ó palmeiráis; chorái, ó lirios! Chorái, ó violêtas de Jessé...
Chorái, ó almas bíblicas, antigas... Ó sombras dos Juizes, dos Profétas; Ó noivas a cismar entre as espigas, Pisando as relvas vêrdes e as violêtas! Chorái, ó almas bíblicas, antigas...
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Eu queria soluçar em verso brando O martirio sem nome, formidândo, Do bom Jesus,--do Deus e Senhor nosso... Para chorar suplicio tão feríno Eu queria ter um estro ideal, divino... Queria... Mas não posso!