Portuguese poem
O Tuberculoso
Alem, sentado á sombra das ramadas, No musgo dum rochêdo, Cisma um joven de faces desmaiádas Tão magro que põe medo...
É o tísico. Nos olhos encovados, Dorídos de sofrer, Vê-se a resignação dos desgraçados Cançados de viver...
Sussurra a aragem fría pelas heras Um canto gemebundo, Como a musica etéria das Esféras Nos ámbitos do mundo...
Caem as folhas mortas, retorcídas, Revelhas pela relva; E as avesinhas calam-se, transídas De frio, pela selva...
Desmaia ao longe o sol...--Que tardes estas De maguas tão profundas! Andam no ar exalações funestas Das rosas moribundas...
Coas chuvas engrossaram as ribeiras. Lá passam a gemer, Levando os esquelêtos das roseiras, Que acabam de morrer...
Erguem-se ao ar as ramas desnudadas Das arvores agrestes; E as aves vão piar desconsoladas Á sombra dos ciprestes...
Os ciprestes!--Só êles com o inverno Não perdem o vigôr... Bem mostram que no mundo é sempiterno O sofrimento,--a Dôr!
A tosse (ei-lo a tossir!) rasga-lhe o peito Em bruscas convulsões, Arrancando-lhe o sangue já desfeito Dos putridos pulmões!
A infancia, a mocidade...--esperanças mortas... Como isso já lá vái! Assim expiram ilusões absortas No hálito dum ái!...
Pobre tísico!--Os olhos encovados, Dorídos de sofrer, Fitam as coisas, brandos, resignados, Dispostos a morrer...