Portuguese poem
O Boémio
Cái sobre as coisas um luar de prata, Luar bemdito, que enlanguesce, enleia... Vem ao longe uma airáda serenáta, Soluçando uma antiga melopeia...
Lá vem o tocadôr. É um vádio, De guitarra chorosa ao tiracólo... Passa as noites cantando pelo frio Cantigas de saudade e desconsolo...
É um boémio, dos parias desgraçados, De olhos profundos, vagos, erradíos Que vivem a cantar pelos eirados, E morrem afogados pelos rios...
É déssa raça antiga, vagabunda, Que atravessava todas as nações Composta de uma incrivel barafunda De cómicos, mendigos e ladrões...
Ei-lo,--o rebento déssas raças mortas, (Esparge-se o luar na solidão...) Cantarolando á lua, pelas portas, Cantigas de saudade e de paixão...