Portuguese poem
Orfãosinhos
Crianças--olhái-as--perto, Desmaiaditas a rir... Nos olhos um ceu aberto, Nos labios rosas a abrir...
Não têm mãe, não teem lume. Sua lareira é o caminho, --Como ninhadita implume, Morta a mãe longe do ninho.
Crianças que não tem lar Onde o carinho reluz Nunca aprenderão a amar, --São como as rosas sem luz...
Oiço dizer que as crianças (Anjos de olhar manso e puro...) São chilreantes esp'ranças Dum deslumbrante futuro...
Mas estas, que a rua cria, Magrizélas, definhadas, --Quem me assegura que um dia Não hão-de ser desgraçadas?
Crianças órfans, sem mãe, Já nascem com sua cruz, Como nasceu em Belem O Deus Menino, Jesus...
--«São rosas a abrir mimosas As criancinhas...»--Pois sim! Só se nós chamarmos rosas Ás florinhas do alecrim...