Portuguese poem
Como tu és
by Adélia Josefina de Castro Fonseca (1827–1920)
Angelina és tão formosa, Como a rosa Em fresca aurora d’estio; És pura como a corrente, Transparente, Do mais crystallino rio.
És qual estrella brilhante, Rutilante, No firmamento azulado; Faz da terra um paraiso Teu sorriso, O teu sorriso engraçado.
Tua voz harmoniosa, Maviosa, Iguala á do rouxinol; São teus olhos tão formosos, Luminosos Como dous raios do sol.
Tu és tão meiga e innocente, Como o ente Na madrugada da vida; Es tão grata e prazenteira, Qual primeira Prova de amor não-mentida.
És léda como a menina, Pequenina, Pelos jardins a folgar; És suave como a brisa, Que amenisa Linda noite de luar.
És casta como o materno Beijo terno Na face do filho amado;
És divina como um canto, Sacro-santo, Por seraphins modulado.
És doce como a esperança, Que descansa N’alma do fiel christão; Dos anjos a santidade, À bondade, Reside em teu coração.