Portuguese poem
Imitação do Snr. Aboim
by Adélia Josefina de Castro Fonseca (1827–1920)
Si eu fôra da Thracia o Vate sublime, A lyra afinára p’ra só te cantar; Si eu fôra o pintor de Italia famoso, Quizera o teu rosto p’ra mim copiar.
Si eu fôra a fontinha, que corre indolente, E sobre conchinhas se vai espraiar, Então me verias, correndo anhelante, Teus pés delicados risonha beijar.
Si eu fôra um infante gentil, innocente, Só tuas caricias quizera lograr; Si somno tranquillo meus olhos cerrasse, No teu brando seio qu'zera pousar.
Si eu fôra a violêta, que sob as folhinhas Esconde os encantos que Deus lhe quiz dar, A ti me mostrára, e sobre teus labios Meus puros perfumes quizera entornar.
Mas eu não sou fonte, pintor, ou violéta, Nem vate, que possa teu nome exaltar; Apenas sou triste mulher, que te adora O mais que na terra se póde adorar.