Portuguese poem
Meus desejos
by Adélia Josefina de Castro Fonseca (1827–1920)
Eu quizera dizer-te, meu anjo, Quanto és por minh'alma adorada; Eu quizera mostrar-te que trago Tua imagem no peito gravada.
Eu quizera, que a sabia natura Seus primores p’ra ti reservasse; Eu quizera, que o Deus de bondade De mil ditas teus dias c’roasse.
Eu quizera, de todo o universo Sobre o throno melhor te assentar; Eu, emfim, desejára ser homem E poético amor te offertar.
Só em ti, enlevado, veria O meu vóto mais cáro cumprido; Quando um’alma, que a minha entendesse, Ao Eterno eu houvesse pedido.
Tu então realisáras, meu anjo, Meu querido ideal amoroso ; Tu me déras do céu as delícias; Eu seria o mortal mais ditoso.