Versos Portuguese Alexandre Herculano O Soldado — V (Terra infame!--de servos aprisco)

Portuguese poem

O Soldado — V (Terra infame!--de servos aprisco)

by (1810–1877)

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Terra infame!—de servos aprisco, Mais chamar-me teu filho não sei: Desterrado, mendigo serei; De outra terra meus ossos serão!

Mas a escravo, que pugna por ferros, Que herdará só maldicta memoria, Renegando da terra sem gloria, Nunca mais darei nome de irmão!

Largo o mundo ahi 'stá ante o livre; Que este mundo é a patria do forte: Sobre os plainos gelados do norte, Luz do sol tambem mana do céu:

Tambem lá se erguem montes, e o prado De boninas, em maio, se veste; Tambem lá se menêa um cypreste Sobre o corpo que á terra desceu!

Que me importa o carvalho da encosta? Que me importa da fonte o ruido? Que me importa o saudoso gemido Da rollinha sedenta de amor?

Que me importam outeiros cubertos Da verdura da vinha, no estio? Que me importa o remanso do rio, E, na calma, da selva o frescor?

Que me importa o perfume dos campos, Quando passa de tarde a bafagem, Que se embebe, na sua passagem, Na fragrancia da flor do alecrim?

Que me importa? Pergunta do inferno! É meu berço!—A minh'alma está lá! Que me importa?.... esta boca o dirá?! Maldicção, maldicção sobre mim!

Combatamos!—O ferro se cruze, Assobie o pelouro nos ares; Estes campos convertam-se em mares, Onde o sangue se possa beber!

Larga a valla!—que, apoz a peleja, Nós e elles seremos unidos! Lá, vingados, e do odio esquecidos, Paz faremos.... depois do morrer!