Versos Portuguese António Duarte Gomes Leal *A Musa Verde*[1]

Portuguese poem

*A Musa Verde*[1]

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Il apellait l'absynthe sa «muse verte» (Les derniers bohémes)

Io vidi gia al cominciar del giorno La parte oriental del ciel tutta rosata. (Dante. Purg.)

Infelizes!--os sujos, verdes limos, Que vezes não tem visto os afogados!... Corações tantas vezes sobre os cimos Do Ideal! e que o Vicio tem marcados!

Quem os leva por esses vis atalhos Do Desespero, Fome e Suicidio, E ao verde absintho e aos sordidos baralhos! --Elles que leram Dante, Homero e Ovidio?

Quem os conduz?--A vil fatalidade É quem os leva ás perfidas ciladas?-- E é tal secreta e livida deidade Quem lhes esmaga os craneos nas calçadas?

Quem pois os empurrou, um dia--e disse: --Aquece o Alcool... mais que o Paraizo!-- E nas cavadas faces da velhice Gelou-lhes sempre, imbecilmente, o riso?

--Quem foi? Quem é que arrasta, eternamente, A velha e a nova geração que perde O seu calor, seu sangue, febrilmente-- Aos braços infernaes da Musa Verde!?

A Miseria--a irmã velha do Peccado, --E o Luxo, o Mal!--tão negros conselheiros! São quem os faz, no asphalto abandonado, Ver apagar, com dia, os candieiros?...

Ou será, tambem,--goso triste insano Da alma escura!--e nova podridão Do homem de hoje, blazé como um tyrano: --De se sentir boiar na perdição?!