Portuguese poem
*Á Pomba Que Voou*
Foste-te, ó luz das solidões amenas! Ó grandes olhos tristes, ideaes! --Partiste, casta pomba d'alvas pennas, Em procura dos lucidos pombaes!
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Tu estás hoje entre as hervas e as poeiras, Ou cheia de celestes claridades! Ó doce irmã das rolas companheiras! Por ti ouço chorar as larangeiras! E de luto vestirem as saudades!
Ah! quantas vezes, n'este mar d'escolhos, Comtemplando o azul duro e sem fim... E os pés ensanguentados nos abrolhos, Eu nas estrellas creio vêr teus olhos Que estão chorando lagrimas por mim!
Teu corpo está talvez, dilacerado Entre as plantas escuras e as raizes!.. E, ah! que vezes talvez, n'um ai cortado Não me terá teu seio immaculado Entre as hervas bradado--Não me pizes!
Por isso vou curvado para o chão Com medo de pizar-vos, tranças bellas! --E ah! quantos, como eu, tambem irão, Correndo o mundo atraz d'uma illusão, Ou soletrando as mysticas estrellas!
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Foste-te luz das solidões amenas! Ó grandes olhos trístes divinaes!... --Partiste, casta pomba d'alvas pennas Em procura dos lucidos pombaes!