Portuguese poem
Cleopatra
by António Joaquim de Castro Feijó (1859–1917)
Como a concha de nácar luminoso. Em que Venus surgiu, risonha e nua, A Galera vogava ao sol radioso Com a graça d'um Cysne que fluctua.
Soltas ao vento as velas de brocado, Ao som das Lyras, sobre o rio immenso, Dos remos d'oiro e de marfim sulcado, O destino do Mundo ia suspenso!
Como nuvens correndo, as horas passam; Já se divisa o porto; o sol declina, E emquanto as velas, marinheiros, cassam, Ella que um sonho de poder domina,
Deante do espelho, a reflectir, perscruta Do seu corpo a belleza profanada, Como o rufião nocturno, antes da lucta, Examinando a lamina da espada!