Portuguese poem
Desengano
by Artur de Azevedo (1855–1908)
A pensionista pálida que gosta (Fundada pretensão!) que a digam bela, E do colégio, à tarde, na janela, Para dar-me um sorriso se recosta;
Que me escreve nas férias, de Bemposta, Aonde vai visitar a parentela, Pedindo-me que não me esqueça dela E dando-me uns beijinhos..., pela posta;
Essa ninfa gentil dos olhos pretos, Essa beleza de anjo... oh, sorte varia; Vergonha eterna para os meus bisnetos!
Com um pançudo burguês, uma alimária Que não a sabe amar, nem faz sonetos, Vai casar-se amanhã na Candelária.