Versos Portuguese Camilo Castelo Branco Epistola

Portuguese poem

Epistola

by (1825–1890)

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AO VISCONDE DE QUEBRANTOENS.

Instrumento do ceo, desceste ao Porto, Corajoso mancebo, que desandas Nos borlistas fataes sopapo ingente!

Oppresso longo tempo, ahi gemera Nas entalas crueis d'um camarote O misero assignante! Amargo calix Em silencio tragava, ouvindo os passos Do acerbo massador, impio borlista! As notas de Rossini eram-lhe espinhos, As fusas de Bellini eram-lhe fusos Que o intimo das visceras lhe espetam! E os duetos em fá do Machbet Eram-lhe cantos de raivosas górgonas!

O ferro fez-lhe vêr visoens do inferno! A propria Jeny-Lind se cantasse, Nesse palco, talvez, aos olhos d'elle Não fosse mais gentil, que a Cholera-morbus É que a larva immortal do pesadello, A sombra do borlista ergue-se impavida, Synistra, nos umbraes do camarote!

Derreado e servil no corpo e alma, Arrasta-se o borlista em cortesias, Gagueja cumprimentos requentados, Recebe em cada noute affrontas novas, E, cynico, sorri, graceja sempre!

Mas cerram-se ao borlista os horisontes, Apenas surges tu, Pedro-Eremita, E aos povos um pregão de guerra envias! De toda a parte bellicosa ferve Raivosa indignação contra os Bernardos. Aqui batata pôdre o povo ajunta, Além prendem-se em páos bexigas tumidas, E cebola grelada em grande escala De Freixo de Numão o Porto importa.

Se no livro fatal d'altos destinos Proscripta a extincção foi do borlista Da borla a abolição a ti se deve, De ti, visconde emana o nobre impulso!

Em nome dos sensiveis assignantes, Recebe o galardão que o Porto envia Ao caro filho seu que a patria salva Do typho mais cruel--typho-borlista!

É uma cegonha, cousa duvidosa entre a forôa, e a giboia, que canta entre as coristas.

Quem não conhece o sr. Bernardo, digno Achiles do Barriense?