Versos Portuguese Camilo Castelo Branco _Um Jantar De Baroens._

Portuguese poem

_Um Jantar De Baroens._

by (1825–1890)

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INVOCAÇÃO.

Musa da sopa e do cosido, inspira-me! Pandega musa, que sorris ao vate Em môlho d'açafrão, e de tomate, Um cego adorador... achaste em mim. Transforma o estro meu em lombo assado, Da minha inspiração faz um podim.

Tu filha dos baroens, musa do unto, Nasceste na cosinha entre caçôlas; Saudaram-te no berço alhos, cebôlas, Do cominho tiveste uma ovação. Depois, trajando gallas de toucinho, Eu vi-te nas bochechas d'um barão.

Namorado de ti, fiz-te meiguices, Por de traz d'um pirum, e tu de lá Sorriste-me atravez da nedea pá De vitella gentil, rica de arroz! Ai! era!.. e nem eu sei se foi mais linda Aquella gorda pata... que te poz!

Tu fizeste de mim novo Claudio, Inspiraste-me fé no rodavalho. Traguei indigestoens, arrotos d'alho, Bernardas na barriga supportei. Tomei chá de marcella... e, em premio d'isto. O teu auxilio, ó musa, não terei?!