Portuguese poem
Velho
by Cruz e Sousa (1861–1898)
Estás morto, estás velho, estás cansado! Como um sulco de lágrimas pungidas, Ei-las, as rugas, as indefinidas Noites do ser vencido e fatigado.
Envolve-te o crepúsculo gelado Onde vai soturno amortalhando as vidas Ante o responso em músicas gemidas No fundo coração dilacerado.
A cabeç pendida de fadiga, Sentes a morte taciturna e amiga Que os teus nervos círculos governa.
Estás velho, estás morto! Ó dor, delírio, Alma despedaçada de martírio, Ó desespero da Desgraça eterna!