Portuguese poem
Sobre um túmulo
by Fagundes Varela (1841–1875)
Torce-te aí na sepultura fria Onde passa rugindo o furacão, Seja-te o orvalho das manhãs negado, Soe em teu leito a voz da maldição! Teu castigo será gemer debalde Buscando o sono que o sudário deixa, Ouvir nas trevas de uma noite horrenda De errantes larvas a funérea queixa! Pese-te a terra qual um fardo imenso, Infecta podridão cubra teus olhos, Seque o salgueiro que sombreia a lousa E em seu lugar estendam-se os abrolhos! Roam-te o Ódio, — a maldição, — o olvido, E quando as turbas levantar-se um dia, — Aparências de Deus, — para afundar-se No seio d'Ele, ardentes de alegria, Surdo sejas aos ecos da trombeta Em teu leito de pedra enregelada; Findem-se os mundos, e a existência tua Fria se apague na solidão do nada!