Versos Portuguese Fagundes Varela O Mesmo

Portuguese poem

O Mesmo

by (1841–1875)

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Desde a quadra mais antiga De que rezam pergaminhos, Cantam a mesma cantiga Na floresta os passarinhos.

Têm o mesmo aroma as flores, Mesma verdura as campinas, A brisa os mesmo rumores, Mesma leveza as neblinas.

Tem o sol as mesmas luzes, Tem o mar as mesmas vagas, O deserto as mesmas urzes, A mesma dureza as fragas.

Os mesmos tolos o mundo, A mulher o mesmo riso, O sepulcro o mesmo fundo, Os homens o mesmo siso.

E neste insípido giro, Neste vôo sempre a esmo, Vale a pena, em seu retiro, Cantar o poema, mesmo?