Versos Portuguese Fagundes Varela O exilado

Portuguese poem

O exilado

by (1841–1875)

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O exilado está só por toda a parte!

D’esta campina as arvores são bellas, São bellas estas flôres que se vergam Das auras estivaes ao debil sôpro; Mas nem a sombra que no chão se alonga, Nem o perfume que o ambiente inunda São d’essa gleba divinal que adoro. O exilado está só por toda a parte!

Mole e lascivo no tapiz da selva Serpeia o arroio, e o deslizar queixoso Peja de amor as solidões dormentes; Mas nunca o rosto reflectiu-me um dia, Nem foi seu burburinho enlanguescido Que embalou minha infancia descuidosa. O exilado está só por toda a parte!

— Por que choraes? me perguntou o mundo; Contai-nos vossa dôr, talvez possamos Sanal-a ás gotas de elixir suave; Mas, quando eu suspendi a lousa escura Que o tumulo cobria-me da vida, Riram-se pasmos sem sondar-lhe o fundo. O exilado está só por toda a parte!

Vi o ancião da prole rodeado Sorrir-se calmo e bendizer a Deus, Vi junto á porta da nativa choça As crianças beijarem-se abraçadas; Mas de filho ou de irmão o santo nome Ninguem me deu, e eu fui passando triste. O exilado está só por toda a parte!

Quando verei essas montanhas altas Que o sol dourava nas manhãs de agosto?

Quando, junto á lareira, as folhas lividas Deslembrarei de meu sombrio drama? Douda esperança! as estações succedem-se E sem um gozo vou descendo á campa. O exilado está só por toda a parte!

Brandas aragens, que roçais fagueiras Das maravilhas nas cheirosas frontes, Aves sem patria, que cortais os ares, Irmãs na sorte do infeliz romeiro, Ah! levai um suspiro á patria amada, Ultimo alento de cansado peito. O exilado está só por toda a parte!

Quando nas folhas de lustrosos platanos Novos luares descansarem gratos, Já sobre a estrada de meus pés os traços O pegureiro não verá, que passa! Misero! ao leito de final descanço Ninguem meu somno velará chorando. O exilado está só por toda a parte!