Portuguese poem
Soneto I
by Fagundes Varela (1841–1875)
Desponta a estrella d’alva, a noite morre. Pulam no mato aligeros cantores, E dôce a brisa no arraial das flôres Languidas queixas murmurando corre.
Voluvel tribo a solidão percorre Das borboletas de brilhantes côres; Soluça o arroio; diz a rôla amores Nas verdes balsas d’onde o orvalho escorre.
Tudo é luz e esplendor; tudo se esfuma Ás caricias d’aurora, ao céo risonho, Ao floreo bafo que o sertão perfuma!
Porém minh’alma triste e sem um sonho Repete olhando o prado, o rio, a espuma: — Oh! mundo encantador, tu és medonho!