Portuguese poem
*A Inegualavel*
by Fernando Pessoa (1888–1935)
Ai, como eu te queria toda de violetas E flébil de setim... Teus dedos longos, de marfim, Que os sombreassem joias pretas...
E tão febril e delicada Que não podesses dar um passo-- Sonhando estrelas, transtornada, Com estampas de côr no regaço...
Queria-te nua e friorenta, Aconchegando-te em zibelinas-- Sonolenta, Ruiva de éteres e morfinas...
Ah! que as tuas nostalgias fôssem guisos de prata-- Teus frenesis, lantejoulas; E os ócios em que estiolas, Luar que se desbarata...
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Teus beijos, queria-os de tule, Transparecendo carmim-- Os teus espasmos, de sêda...
--Água fria e clara numa noite azul, Água, devia ser o teu amor por mim...
Lisboa 1915--Fevereiro 16